Muito antes
do pudim que está arrefecer, do brioche que está a levedar, porque nem só, nem principalmente disso nos alimentamos:
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"O homem cava a sepultura com os dentes",
provérbio chinês.
do pudim que está arrefecer, do brioche que está a levedar, porque nem só, nem principalmente disso nos alimentamos:
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Um mês e tal sem dizer água vai, sem vir aqui, no mínimo para dizer adeus, era uma morte que não cabe na minha maneira de partir. Não parti. Aborreci-me com a cozinha, e, tanto quanto possível, só devemos fazer aquilo que nos apetece. Sucede que fui ajudar alguém a abrir um restaurante e depois aldrabaram o que ensinei, aldrabar é o verbo exacto. E como não sou cozinheiro e nunca ganhei um cêntimo com tachos e panelas (muito pelo contrário) , como a minha vida de ganhar o pão é quase tão livre como a de um pássaro, dei a minha tarefa por finda com uma desculpa amável, para que tudo ficasse na mesma. Isto é, para que a relação se mantivesse e aquele restaurante, num sítio privilegiado, fosse apenas mais um restaurante, entre os muitos que fecham e abrem todos os dias.
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Ontem, no blogue de Eduardo Pitta:
"Abre hoje no CCB o Museu Colecção Berardo. O acervo exposto inclui 245 obras, das 862 da colecção do comendador. Para manter o museu, o Estado vai gastar três milhões de euros nos primeiros doze meses de funcionamento. Só hoje, o happening — inauguração oficial [18:30h], jantar para 800 convidados nos Jerónimos, fogo de artifício para o povo — está orçado em seiscentos mil euros." - O colorido é desta casa.Etiquetas: Miscelânea
Obrigado a todos os que têm passado por aqui.
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Tenho muita coisa para pôr e pouco tempo, de modo que vou colocando o que tenho às pinguinhas e com atraso. Poucas palavras, que as imagens valem por mil (dizem), acerca do Salón Internacional del Club de Gourmets, já lá vão quase duas semanas.



Se a carne foi rainha, o presunto de porco ibérico foi rei. Em cima o stand da casa tida como a de melhores presuntos D. O. Jabugo, Sanchez Romero Carvajal. Estava a abarrotar de gente. Em Espanha há um verdadeiro culto pelo presunto. Parma apaga-se diante da excelência aromática, untuosamente macia de um presunto ibérico reserva, de bolota.
Gostei desta inspiração hípica para cobrir o presunto. Mas só para o proteger da poeira. Para não secar, é coberto com a gordura retirada do mesmo, como muito de nós sabem, se não todos.

A vitrine acima ainda hoje me enche os olhos. Percebe-se, por isto e por tudo o mais, a mão de sábios do bom-gosto.


O arroz bomba também estava presente, o arroz eleito para paelhas, com que fiz um arroz de borrego que pus no blogue, e um arroz de cabidela diferente, que estava saborosíssimo e que publicarei proximamente.

A fruta cairia bem depois de tanta boa coisa vista e provada, isto se o seu sabor fosse como o aspecto feérico que mostrava e se deixassem prová-la. Agora só para o ano. Mais que recomendável a quem se perde por estas coisas.Etiquetas: Miscelânea
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Tal como no ano passado, fui hoje ao XXI Salón Internacional del Club de Gourmets, em Madrid. Como aperitivo a uma descrição alargada, deixo a raridade do presunto de coelho que se vê nas imagens. No prato acima falta uma lasquita do dito. Fui eu que a tirei. Um petisco surpreendentemente saboroso.
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Não tenho cozinhado. É preciso paciência e tempo, e ambas as coisas me têm faltado. Hoje era para fazer uma bola de presunto, mas a máquina de fazer pão que comprei no Lidl esclareceu que levava 1:50 h para amassar e levedar a bola, e já não me deu tempo.

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Quem adivinhou o hipermercado e a cidade do post abaixo foi Goretti, do Mal-cozinhado. Um joguinho de roda como digo aqui. Agora só falta à "feliz contemplada" escrever para o e-mail deste blogue, a escolher o tema que prefere para o livro: Culinária ou Literatura. O mais é só confiar no meu gosto e dizer para onde quer que o envie. Publicarei aqui a imagem do prémio.
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O primeiro visitante que disser, nos comentários, o nome do hipermercado onde fui (a que pertencem as imagens abaixo) e a cidade onde fica ganha um livro de culinária ou de literatura, um dos temas à escolha do vencedor, com portes pagos e tudo. Estão excluídos familiares meus e pessoas do mundo lá de fora que me conheçam pessoalmente. Portanto não vale sabotar. O concurso é válido enquanto este blogue for vivo e não houver uma resposta certa. Não há funcionário do Governo Civil e também não é preciso.
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Este é o alto Mondego, bem longe ainda da Figueira, vagaroso entre as terras de Fornos de Algodres, no coração da Beira Alta.
Vim muitas vezes de propósito a este restaurante comer peixinhos do rio em escabeche, enquanto olhava as águas a passar como um tempo luminoso. Estava-se bem, longe do mundo, sempre numa mesa junto da janela. Mas veio a lei cega e acabou com os peixinhos, como (quase) acabou com o queijo da serra artesanal, está tudo em queijarias, e agora é mais o leite de ovelhas de Espanha do que o leite das churras portuguesas que entra nas coalhadas. A bem da higiene, com que tenho de concordar, mas afinal nem sempre a bem da qualidade. Não me parece aceitável e, menos ainda, inteligente fazerem-se leis com olhais de mula na cabeça, ou seja, que fitem só em frente, sem olhar para o lado.
Na berma, para trás, relegadas para o passado, que cada vez mais é a agonia da identidade de um povo, ficam coisas que dificilmente tornaremos a ver, os peixinhos, o queijo da serra como aquele que comia e que ainda vou arranjando clandestinamente, a aguardente bagaceira que agora se destila em alambiques escondidos, aguardente que tem um forte aroma a chá, sobre a qual costumo dizer, quando é da legítima, que só a troco, no mínimo, por um whisky de malte de 15 anos, se for bom, por uma aguardente velha da nossa que seja excelente, por um conhaque ainda melhor.
quarenta para cá. Em vez dos peixinhos a que ia e que soube então não haver mais, comi bacalhau assado e umas batatas a murro enormes, mas deliciosas, a nadar em azeite de muito boa qualidade, um modo dentro da lei de se iludir o casal antipático das garrafinhas. Um restaurante tosco? Um restaurante de peixinhos do rio longe de tudo.Etiquetas: Miscelânea
Trouxe o assado da entrada abaixo de Torre Valentina, na província catalã de Girona. Estava em férias, ali onde o mar é único – todos os mares parecem únicos porque diferentes em
cada lugar, quando ainda primordiais como esse Mediterrâneo.
rusticidade. É para mim, com a cozinha do País Basco, a melhor das nações de Espanha, ainda que seja injusto não lembrar a galega, irmã da nossa nortenha, e a castelhana, esta de uma simplicidade austera em que a matéria-prima de pastos de erva e de bolota tem lugar de rei.Etiquetas: Miscelânea
As imagens do post abaixo desapareceram e não as guardei. Vamos aprendendo com os erros. Para a próxima vez já sei que devo conservá-las.
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Hoje uma das cozinhas que mais me atrai é a cozinha criativa, uma evolução da nouvelle cuisine que veio, nos anos 70, contestar os conceitos da haute cuisine francesa em que reina o peso de molhos e complicações muito elaboradas, que não poucas vezes transformam, quando não ocultam, o que se está a comer. Claro que gosto desta cozinha, não já para a fazer, embora ainda tenha no activo receitas dela.
A nova cozinha realça a matéria-prima, sempre de grande qualidade e pouco elaborada, aligeira os pratos, e em vez de jogar barrocamente com o peso das complicações, joga com a ligação de sabores simples, de texturas, de cores e formas, de cujo exemplo deixo a seguir uma das minhas mais extraordinárias experiências gastronómicas.
No restaurante de Juan Maria Arzak, o mais antigo dos três grandes restaurantes de Espanha, com o Can Fabes e o El Buli, saboreava eu um menu de celestial degustação, quando me vêm com três cubos de cordeiro do tipo francês, grelhados no seu exactíssimo ponto, que é o da carne rosada, como sabemos. Acompanhava-o um esparregado de feijão verde com pistácios ralados.
Mal acabei de comer o pedaço de carne, provei um pouco daquele esparregado verde-claro. Indiscritível! O sabor do esparregado fez elevar o sabor remanescente do cordeiro a alturas orgásmicas, perdoe-se-me a origem e o excesso do neologismo.Mas também fiz e faço pratos de outras cozinhas, com relevo para a espanhola, e pratos avulso que conheço de livros de receitas e de restaurantes do mundo.
Mas, sobre todas estas, está a nossa cozinha regional, tão variada e rica, pela qual conservo um interesse semelhante ao da cozinha criativa, por vezes mesmo tentando desconstruí-la, ao querer modernizar amadoramente a tradição.
Há também a cozinha de família, a maior parte das vezes simples nos seus temperos e que tanto me agrada, presente em muitos dos blogues na coluna à direita, a cozinha de todos os dias, que nunca cansa e a dos dias de festa, em geral em datas religiosas.
Enfim, quero com isto dizer que me tornei bastante parcimonioso em complicações de gostos, especiarias e temperos, depois de ter sido pródigo neles. Nunca esqueço, todavia, que as tripas à moda do Porto exigem cominhos, que no frango de churrasco vai bem o piriri, etc.
As misturas de ervas, especiarias e o que mais calhar é que já não são comigo, com excepção de pratos que confecciono às vezes das cozinhas indianas e dos países de expressão portuguesa, de que gosto muito, e ainda de alguma árabe, para não falar de outras só provadas em restaurantes e que nunca fiz.
As ligações entre os componentes dos pratos e sobremesas são para mim uma evolução pessoal do gosto, uma forma superior de tempero e degustação, sem descartar obviamente os condimentos com lugar estrito nesse jogo. Ando a pensar num puré de batata como parte de uma composição de sabor a Sul. Que leva o puré? Batatas, poejos (e arranjá-los?), leite, um nada de pimenta preta, sal, manteiga ou banha. Precisará de mais alguma coisa? Estou quase certo de que não. Etiquetas: Miscelânea
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Antes do mais digo: estava de se rezar. Mais do que merecia um vinho à altura, um branco possante ou um tinto delicado, mas beber sozinho é coisa que não faço. Ontem não tive companhia para estas andanças. De resto, beber vinho assemelha-se a amar. É mesmo uma espécie de acto de amor, e o amor, como sabemos, exige uma presença humana, salvo o amor místico, que também a exige, mas figurada em Deus.
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Há um bom par de anos, arranjei uns casais de coelhos com ideia de comer da prole que viesse deles. Sempre tinha comido coelho, mas quando me pus a olhar bem para eles e os vi de focinho a dar a dar, soube que nunca os iria comer. Acabaram por se dar aos vizinhos, porque os miúdos também tinham pena e ninguém em casa os queria.
O mesmo veio a suceder com os pombos. Sabia umas quantas maneiras de cozinhar pombo, e então toca a arranjar uns casais de pombos para encherem a casa de tombos, como se costuma dizer. A filharada chegou a mais de cem, e eram à mesma tão bonitos que ninguém em casa era capaz de comê-los. Foi um assalto ao pombal quando se deram aos vizinhos. Virei as costas, chateado. Bárbaros!Etiquetas: Miscelânea