segunda-feira, março 26, 2007

Pudim de pão e café com gelatina de Drambuie e granizados de sumo de laranja e de framboesa

Há cerca de duas semanas saboreei um pudim de pão e café à sobremesa num restaurante de Rio Maior, e o que mais me atraiu nele foi a cor negra, já que o sabor a café tinha-se ido embora, imagino que durante a cozedura.

Puseram-se-me dois problemas para a sua consecução: um foi dar a mesma cor negra; outro, manter o aroma a café. Só sabia de receitas de pudim de pão com leite, com que obteria inevitavelmente a cor pardacenta de um galão.

Fui ao Google investigar e, além de um pudim copiado, com toda a lata, em não sei quantos sites sem se saber nada da publicação original, encontrei este, a que retirei, a raspa de limão, juntando 25 g de café solúvel sem cafeína, parte aplicado na calda, parte na massa de pudim, cujas instruções da receita também não segui: juntei à calda de açúcar já no ponto (pérola) mais ou menos metade do café solúvel, e deitei-a como dizem sobre o miolo de pão. Vi logo que não poderia desfazer o miolo, e então juntei os ovos. Já pude então, com a varinha mágica, triturar bem o pão até obter uma massa lisa.Foi aqui que adicionei o resto de café solúvel, na verdade em tentativas sucessivas até obter a cor que me pareceu bem. Só no fim, pela falta que ficou no frasco novo, é que soube da quantidade certa.

Como dizem na receita por que me orientei , passei com caramelo a forma para pudins em banho-maria, uma forma com cobertura em silicone, mas será o mesmo em teflon. Esteve 50 m a cozer em banho-maria num tacho, a que fui acrescentando água à medida que se evaporava. Como a receita referida dizia para desenformar o pudim em frio, esperei que arrefecesse totalmente. Saiu com grande dificuldade, batendo com a forma não no prato, mas no balcão de serviço. Saiu direitinho, como se vê na imagem, e depois passei-o para o prato de serviço com a ajuda de espátulas. Isto leva-me a pensar que, para a próxima vez, o desenformarei ainda morno, a forma untada com manteiga em vez de caramelo, e aplicarei menos 50 g de miolo de pão.

Pode ser servido sozinho, como sucedeu depois do cabrito da entrada abaixo, ou montar uma sobremesa com o pudim, com que ganhou bastante, tal como aconteceu com o sobejante depois de uma refeição de rodovalho sobre a qual ainda escreverei. Em ambos os casos o pudim melhora se for servido no dia seguinte.

Para compor a sobremesa, preparei uma gelatina, para a qual pus de molho em água fria 2 folhas dela incolor(6 g), durante 5 minutos, e, neste entretempo, aqueci no microondas 100 ml de Drambuie sem deixar que fervesse. Espremi bem as duas folhas de gelatina e misturei-as energicamente no licor aquecido. Pus esta calda no frigorífico, num recipiente de fundo largo, de maneira a conseguir uma altura de gelatina de cerca de 5 mm.

No dia seguinte, espremi o sumo de uma laranja e descongelei um pouco de framboesas, que esmaguei com açúcar a gosto e passei por um coador fino, com a ajuda de um pouco de água. Levei os sumos a granizar separadamente. Com ajuda de uma faca, cortei a gelatina numa malha de 5 mm de lado, e levantei-a com uma colher. Cortei uma fatia regular de pudim e pus os granizados juntos em copos de shot, primeiro o de sumo de laranja, depois o de framboesa, e montei os pratos como se vê na imagem do topo.

Deve beber-se o granizado primeiro, como se fosse um sorvete por si só, e depois ir saboreando a ligação perfeita do pudim de pão e café com a gelatina de Drambuie. É mais uma sobremesa de topo, dentro da relatividade dos gostos, entre as sobremesas que inaginei nestes 10 meses de blogue.

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2 Comments:

At 27/3/07 10:40, Blogger Caiano Silvestre said...

Gostei muito. Das cores, da prosa e da ideia.

 
At 28/3/07 07:04, Blogger o avental said...

Bom, bom mesmo, Caiano Silvestre, é o Drambuie em gelatina a ligar com o sabor a café do pudim, a seguir à leveza do granizado.

 

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