sexta-feira, março 09, 2007

Ovo com tomate, uma receita com mais de 100 anos


Muitas das casas de nossos pais e avós tinham ou têm ainda pratos oriundos do livro de cozinha portuguesa de referência , que é o Tratado Completo de Cozinha e de Copa, de Carlos Bento da Maia, com primeira edição em 1904, pela Livraria Editora Guimarães & C.ª.

De casa de meus pais, que já vinha de meus avós, trouxe a desfazer-se de idade e uso essa longínqua edição. Acabei, mais tarde, por comprar a de 1995, já em 2.ª edição, publicada pela D. Quixote. Se ainda o não tiver, não desista de procurar o livro em livrarias e alfarrabistas: julgo que esteja esgotado.

Foi por ter visto um ovo com tomate no Rap’ó Tacho que me deu saudades deste outro, que já fiz uma série de vezes. Vem na página 337, e o molho de tomate, na página 320, da edição de 1995 do livro de Bento da Maia. Faço-o de cor e substituí o pão frito em manteiga por pão frito em óleo, não só para ficar mais estaladiço, como para não aportar mais sabores que os simples do molho e do ovo.



Quantidades:


Para um ovo: 1 tomate médio e ½ passado no ralador. Sal e pimenta preta do moinho q.b. um dente de alho pouco esmagado, meia colher de chá de açúcar, uma fatia de pão frita em óleo.

Leva-se ao lume a polpa de tomate temperada com o acima dito e deixa-se apurar em lume muito lento. Retira-se o alho e junta-se massa de tomate, até o molho ter a cor que lhe agrade. Deixa-se apurar um pouco mais e junta-se um gole de água.

Entretanto, escalfa-se um ovo bem fresco, isto para quem tiver galinhas ou então uma vizinha como eu. Coloca-se o ovo sobre a fatia de pão e depois o molho de tomate em cima.

O molho de tomate, assim confeccionado, sem estrugido, sem gordura nem cebola, torna-se muito delicado. É uma entrada perfeita.

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8 Comments:

At 9/3/07 13:20, Blogger Paula said...

Se tiver paciência para isso, deixei-lhe um desafio no rap'ó tacho...

 
At 11/3/07 19:26, Blogger JVC said...

Gosto muito do que escreve mas, às vezes, fico com algumas dúvidas e espero que me esclareça.

"1 tomate médio e ½ passado no ralador. Sal e pimenta preta do moinho q.b. um dente de alho pouco esmagado, meia colher de chá de açúcar, uma fatia de pão frita em óleo."

Que ralador? Passe-vite, peneira, chinês? Como sabe, o resultado pode ser completamente diferente. É tomate inteiro ou sem polpa mole e pevides? Com pele ou previamente assado para descolar a pele? O dente de alho esmagado inclui ou não a pele rosada? Não leva louro? Parece-me omissão. Mas se sim, como, a folha inteira, esmagada, ou apenas separada da nervura central?

Porquê o pão frito em óleo e não apenas ligeiramente barrado com manteiga e tostado com o maçarico, coisa que certamente tem, como cozinheiro criatvo que merecidamente é?

"Entretanto, escalfa-se um ovo bem fresco". Também gostava que me explicasse. Em que quantidade de água e a que temperatura? Com ou sem vinagre? Como é que tempera? Diferentemente a clara e a gema?

Espero que não leve a mal estas perguntas. Aprecio muito o seu espírito inventivo, mas às vezes fico a pensar que os seus leitores não conseguem reproduzir por falta de informação técnica.

Sugiro-lhe que tenha isto em conta, dar boas instruções técnicas em relação às receitas que publica, bem imaginativas e que merecem a minha leitura do seu blogue.

 
At 12/3/07 09:50, Blogger kuka said...

Ó Avental! Não consigo enviar e-mails para o teu endereço do yahoo. Que se passa?

 
At 12/3/07 16:20, Anonymous O Avental said...

Já vi, Paula. É um exercício difícil. Tentarei.

 
At 12/3/07 17:20, Blogger o avental said...

Mestre, já mandei um novo endereço para o seu Gmail.

 
At 15/3/07 12:55, Blogger colher-de-pau said...

Isto tem muito bom aspecto e parece-me delicioso!
Mas olhe que ando a estranhar a sua ausência! É apenas falta de tempo ou não me diga que tem a sua cozinha "encerrada"!

 
At 16/3/07 00:59, Blogger o avental said...

É falta de tempo, Colher de Pau, e como quase só cozinho aos fins-de-semana e neste último estive fora, pareceu um tempão sem eu cá vir.

 
At 16/3/07 20:35, Blogger maloud said...

Tenho a edição de 1984 e para fazer Sopa Dourada guio-me por ela. Ponho é muito menos pão.

 

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