sábado, outubro 21, 2006

Caldo entornado de uma sopa que há-de ser de mexilhões e açafrão, perfumada com Xerês

O título vai assim porque, tendo já coado o caldo, dei um toque no cabo do coador e entornei tudo. Foi só ficar a olhar para aquilo sem crer no que via: o caldo aromático e amarelinho a espraiar-se pelo chão da cozinha. Faltavam apenas três minutos para terminar a sopa. Cozer a massa fina como aletria, dois minutos, temperar com Xerez seco e fazer o prato, outro minuto. Comer, cinco minutos. Era o meu jantar. Assim fiquei-me por um iogurte e pouco mais.

Entretanto, adianto aqui no blogue o serviço de amanhã, que sempre fui persistente. Será a sopa do meu almoço, repetindo os passos já dados, os passos que até ao desastre foram os seguintes:

1.º - Lavar e tirar as barbas aos mexilhões.

2.º - Abrir os mexilhões com um nada de água no fundo do tacho, tapá-lo e, logo que abertos, desligar o lume, destapar o tacho e retirar o marisco das conchas. Escolher uns quantos dos mais bonitos e reservar estes em separado dos outros (que vão servir para um petisco).

3. - Ralar cenoura, partir uma fatia de tomate maduro, rodelas de cebola e alho francês.

4.º - Pôr estes vegetais a estufar lentamente com azeite, grãos de pimenta preta e um pouco de salsa.

5.º - Uma vez estufadas, juntar a água que os mexilhões largaram e ainda um pouco de água normal. Deixar levantar fervura, reduzir o lume e ferver devagar.

6.º - Com um pouco de caldo, esmagar o açafrão e juntá-lo à sopa.

7.º - Coar tudo.

E foi aqui que o caldo se entornou. Prossegue amanhã.

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6 Comments:

At 22/10/06 12:42, Blogger Damelum said...

Caro, Avental,
Confesso-me visitante deste blog já há largos tempos. No entanto, ainda não tinha ousado comentar porque, perante tão subtis e aromáticas descrições, prende-se-me a "pena", neste caso a tecla, e fico-me pela agradibilíssima leitura e pelo salivar incontrolável que as suas receitas despertam. Então, depois da sobremesa a partir do célebre vinagre de framboesa....
De qualquer forma, hoje ganhei coragem para registar o prazer de visitar a sua cozinha e declarar-me "cliente" cativa.
C. Diogo

 
At 22/10/06 17:23, Blogger FA said...

A ideia do Xerês é óptima. Hoje resolvi aproveitar restos do caldo que me tinha sobrado da preparação de uns mexilhões e fazer uma sopa, juntando-lhe um pouco de massa. Mas para mim o sabor ficou excessivamente forte para sopa. Nem todos os aproveitamentos resultam!

 
At 22/10/06 17:45, Blogger Andrea said...

Oi
muitas vezes não acho comentar,
pq o que leva o cliente ao restaurante é essa curiosidade em saber todas as nuances de sabores e a surpresa do q poderá ser...
E tb não acho mto ético da minha parte expor assim demais...
mas caso vc queira tirar alguma duvida, sem problemas...
abraços

Andrea

 
At 23/10/06 02:07, Blogger o avental said...

Damelum, aquela sobremesa do queijo fresco com mel de laranjeira e o vinagre de framboesas até quase duvido que não fui eu que a criei :-O

É bom saber que anda por cá. Se passa e não dissesse nada, era como se não passasse.

 
At 23/10/06 02:20, Blogger o avental said...

Isto cá para nós, FA, não fui suficientemente arrojado: tenho a impressão de que esta sopa ficava melhor com um pouco de Porto Velho em vez do Xerês.

No que respeita à sopa que tentou, o sabor da água dos mexilhões é já de si muito marcante e, supondo que se trata da última receita que pôs sobre mexilhões, como é muito temperada, mais marcante ficou.

Esta minha, para a próxima, até lhe tiro a cebola, faço o estufado de vegetais só com alho francês, cenoura e tomate. Julgo que o vinho do porto Velho e a ausência da cebola a tornará mais delicada.

Mas repare: agora ando com a mania dos temperos e sabores soft.

 
At 23/10/06 02:32, Blogger o avental said...

Olá, Andrea. Nem me tinha lembrado do aspecto ético. Isso é muito importante para andarmos bem connosco mesmos.A culinária para mim é um passatempo e gosto de ser criativo, mas não é mais que um passatempo. Um dia abuso da sua simpatia e escrevo-lhe um e-mail. Obrigado pelas suas palavras.

 

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