domingo, junho 18, 2006

Escrevendo mais que sobre uns pastéis de massa folhada

Faça pequenos pastéis de massa folhada de 2,5 x 2,5 cm (mais ou menos, há o recheio a pôr), ou seja, a partir de rectângulos de 2,5 x 5 cm, a massa comprada, descongelada naturalmente, estendida fina, com 1 mm, sobre uma superfície enfarinhada, cortada nas beiras com uma faca de ponta afiada, e em tiras com a mesma faca, de onde sairão os tais rectângulos. Com a ponta do dedo e com água fria humedeça as beiras do rectângulo. No centro coloque uma pequena bola de Roquefort (feita com a mão, o queijo frio). Dobre uma extremidade sobre a outra, fechando bem o pastel com a ponta do indicador, calcando as beiras, que ficam coladas com a humidade e a pressão do dedo. Pincele o topo de cada um com gema de ovo, a que juntou um pouco de água para correr melhor, mas não para escorrer. A massa folha pelos cortes e nada pode obstruí-los. Disponha os pastéis num tabuleiro apenas humedecido com água. Leve os pastéis ao forno, previamente aquecido a 220º, cerca de 20 minutos ou um pouco mais, até ficarem dourados. Desligue o forno e deixe-os secar sem se queimarem. Se for preciso retire-os e volte ao forno com eles, quando menos quente. Comem-se já arrefecidos.

Falei em massa folhada congelada porque não só me satisfaz, desde que de boa marca, como também porque a vulgar que faço e a vugar que outros fazem dão bastante trabalho e não saem melhor nem pior. A massa folhada tem algumas exigências e segredos, como amassar-se o menos possível a massa base (para as folhas não ficarem duras), a massa e a gordura estarem na mesma consistência, depois repousar antes e entre as voltas e, já feita, no frigorífico, e mais coisas menos importantes. No entanto, a massa congelada só dá para pequenas ideias, para maiores ou se faz ou - ó salvação de coisa tão chata! - se encomenda na pastelaria do costume no dia anterior.

Serviram-me os pastéis como aperitivo (o recheio era Danish Blue), uma vez que jantei, entre outras antes e depois, no Las Cabañas, em Peñaranda de Bracamonte, com saída na estrada de Salamanca para Ávila. Passando nesta estrada, merece a pena ir e voltar lá.

Melhor que para um aperitivo, os pastéis acompanham um bife alto de novilho, de boa carne, melhor, de excelente carne, bem cortado e bem feito, grelhado no ponto, ladeado por um pouco de molho bernaise e um ramo de brócolos cozidos em vapor e temperados com flor de sal. Mas isto dá para mais uma entrada (e para um rico almoço), e a carne tem muito que se lhe diga e o molho bernaise não é fácil.

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2 Comments:

At 18/6/06 21:59, Anonymous Anónimo said...

Ainada bem que o venho visitar depois de jantar! :)))
Os pastéis e respectivo bife devem ser acompanhados de um tinto maduro! Só pode!
E sobremesa uma fatia de abacaxi para ajudar a digestão! :))))

Maria Helena

 
At 18/6/06 22:40, Blogger o avental said...

Mas o bife ainda não está pronto, há muito para escrever. O vinho pode ser do Dão, um Quinta dos Roques, se o encontrar, ou um Quinta da Bacalhôa, da Península de Setúbal. São vinhos que vão bem, possantes mas subtis, a ligar bem com a simplicidade da carne. Lá iremos.

 

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