domingo, junho 11, 2006

Gralhas e Cerejas



Ri-me com esta gralha, embora as gralhas me arreliem, mas menos que erros ortográficos e, por maioria de razão, que erros de sintaxe. Uma nódoa cai até no alvo barrete dos cucas mais maníacos da limpeza, sem se saber às vezes como ela foi lá parar, refiro-me a erros e não a gralhas.


Paul Cézanne, Natureza Morta com Prato de Cerejas, 1885-87, óleo sobre tela.

Como estamos no tempo delas, não de gralhas, que são de todo o ano, mas de cerejas, escolha-as vermelho-escuras e coza-as sem pé, com açúcar a gosto e cobertas de água. Guardou, de dias anteriores, caroços de outras cerejas, lavados, é óbvio (cerca de 1/8 do número de cerejas que vai cozer, não é nariz de santo, à segunda vez serão, mais ou menos, a seu gosto), e depois brite-os com um martelo e ponha-os dentro de uma boneca. Junte-a às cerejas ao mesmo tempo que o resto.

Leve o tacho a lume vivo só para levantarem fervura e, logo que a calda borbulhe, reduza o fogo para o mínimo. Mal estejam cozidas, retire o tacho e deixe as cerejas arrefecer na calda. Coloque tudo num recipiente e no frigorífico, e sirva bem gelado em taças. Minha mãe fazia estas cerejas, para grande alegria do muito puto que fui, e sei que era tradição em certas casas fazê-las também.

Os caroços britados são acrescento meu. E se a receita levar um cheirinho de aguardente de cereja ― kirsch ― deve ficar bem boa, o que deixa os putos do lado de fora. No entanto, hão-de dizer It’s an injustice, yes, it is, como Calimero.

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