terça-feira, julho 18, 2006

Uma sopa só sonhada

Hoje sonhei com uma sopa negra, que agora trago das profundezas de um sono regalado, quem sabe se por me libertar de recalcamentos ocultos. Talvez por associação com a delícia catalã que é o arroz negre




Para quatro pessoas: medir a água de um kg de mexilhões abertos num tacho. Sobre este estofado, a que se juntou ¼ de pimento verde, alhos e um pequeno molho de coentros, deitar água suficiente para, com a água dos mexilhões, perfazer 1,2L. Cozer aqui uma posta de 150 gr de tamboril e 8 camarões um pouco mais que médios até ao ponto de cocção óptimo, que é exactamente quando deixam de estar crus (La Palisse tem sempre razão...).

Retirar e limpar o peixe e os camarões de restos de estufado e passar o caldo pelo coador chinês. Reservar em sítio morno o peixe dividido em quatro pedaços e as gambas sem casca, mas com cauda e cabeça Juntar a água dos mexilhões ao caldo obtido, e perfazer os 1,2 l com água se necessário.

Adicionar tinta de chocos até o caldo ficar negro e deixar levantar fervura. Esmagar ligeiramente dois dentes de alho, juntá-los sem casca ao caldo, que deve ferver dois minutos ainda.


Em cada prato, a um dos lados, pôr ½ fatia de pão alentejano ou, não havendo, de pão de segunda com 1,5 a 2 cm de altura, conforme a profundidade do prato. Deitar nele o caldo negro estritamente indispensável para esconder o pão. Colocar, sobre a fatia assim oculta, 4 ou 5 mexilhões grandes sem casca, o pedaço de tamboril, os dois camarões como disse, 3 ou 4 choquinhos grelhados, e enfeitar com uma ou duas tiras pequenas de pimento vermelho assado. Polvilhar a sopa e os adereços com coentros picados.

Se algum dia fizerem esta sopa só sonhada, tenham cuidado ao levar os pratos para a mesa, não vá estragar a ilhota colorida com uma maré negra fatal. A imagem da sopa foi desenhada com o Adobe Photoshop.

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2 Comments:

At 20/7/06 17:56, Blogger Elvira said...

Em Itália, também se costuma fazer risotto negro e até massa, usando tinta de chocos. Já me disseram maravilhas sobre tais pratos.

Fica bonito e poético, até... :-)

 
At 23/7/06 15:12, Blogger o avental said...

Conheço mal a cozinha italiana, isto é, conheço o que é mais vulgar, das massas, quase não passando pelas pizas fast food, até à não tão vulgar (bem longe disso)trufa branca do Piemonte, a rainha das trufas, com que, pela primeira travei, conhecimento num restaurante de Monselice, entre Pádua e Florença.

 

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